sexta-feira, 2 de março de 2012

A HISTÓRIA DA MEDICINA

Os limites da vida ultrapassaram a morte e é preciso cuidar da vida no pós-morte tanto quanto da terrena.
O Egito pode ser considerado o primeiro berço das ciências e da medicina. Foram encontrado papiros, onde se acham ritos religiosos e mágicos, ensinamentos sobre a incisão dos abscessos, o tratamento de queimaduras e o uso de plantas medicinais. Imhotep ( 2700 a.C ), sábio egípcio, é considerado a primeira figura de médico que se eleva na Antiguidade.
O código de Hammurabi reconhece oficialmente e regulamenta pela primeira vez  a profissão de médico, prevendo gratificações e penalidades ( 1728 a.C ).
Hipócrates ( 460 a.C ) é considerado o pai da medicina. Precursor do pensamento científico, procurava detalhes nas doenças de seus pacientes para chegar a um diagnóstico. Hipócrates é o idealizador da medicina clínica, que coloca o doente no centro da cura. Para o estudioso grego, muitas epidemias relacionavam-se com fatores climáticos, raciais, dietéticos e do meio onde as pessoas viviam.
A primeira enciclopédia da medicina - Cícero medicorum - busca a ordem e a classificação das curas e das doenças.  Ele dividiu seus escritos em três áreas principais: tratamentos por meio de uma alimentação adequada, de remédios ou por meio de cirurgias.
A Religião Católica ganha força e domina o último período da Antiguidade e do Império Romano. A busca pelo conhecimento que caracterizava a Antiguidade Clássica, é suprimida em detrimento do rito religioso.
As doenças: sendo a causa do pecado, a cura era a oração, o jejum, o arrependimento.
Anatomia - foi André Versalius, o maior anatomista da época, escreveu o primeiro texto baseado na observação direta do corpo humano: De Humani Corporis Fábrica.
Estudo do corpo humano através da observação do interior de corpos dissecados, abertos e seccionados. O primeiro atlas anatômico.
Michael Servetus ( 1511 - 1553 ) descobriu a circulação pulmonar. Foi queimado em Genebra, juntamente com seu livro. Em 1628 William Harvey ( 1578 - 1657 ) demonstrou de forma definitiva, através de observação direta da  circulação de animais, que o sangue proveniente do ventrículo direito seguia pela artéria pulmonar em direção aos pulmões e retornava ao coração através das veias pulmonares.
Lado a lado no pulmão todo o ar que se renova em constante oposição.
O maior avanço científico do século XVII foi a descoberta da circulação do sangue e o desenvolvimento da metodologia científica pelo inglês Willian Harvey. Com a comprovação morfológica e experimental da circulação do sangue por Havey, o pensamento humano descobriu a experimentação clínica, o raciocínio lógico. Seus estudos inspiraram Renné Descartes que, em sua Descrição do Corpo Humano, que as artérias e as veias eram canos que carregavam nutrientes pelo corpo.
O microscópio - o microscópio foi inventado em 1590 por Johannes e Zacharius Jansem de Middeburg. Porém, foi Marcello Malpighi , médico italiano, o primeiro a conceber a técnica de microscopia básica. Ele comprovou, a teoria de Harvey sobre a circulação sanguínea, sendo o primeiro a observar os glóbulos vermelhos, descobrir as papilas da lingua, as glândulas intestinais e os alvéolos pulmonares. O padre alemão Athanasius Kiercher verificava e confirmava, com ajuda do microscópio, que organismos afetados por doenças contagiosas continham criaturas invisíveis a olho nu, que eram transmitidas para organismos saudáveis, reproduzindo a doença.
Micróbios e Bactérias - a microbiologia avançava e trazia aos médicos novas ferramentas. A vacina é, com certeza, uma das principais delas. Sua anciã é milenar, remonta a uma prática chinesa, hoje conhecida como variolização. Que consistia em provocar varíola em uma forma mais branda na população para, assim, imunizá - la à doença.
Descoberta das vacinas contra a raiva, o cólera, a varíola e muitas outras.
Teoria da Evolução - no século XIX  a palavra evolução era identificada como melhoria. A maioria das idéias sobre evolução das espécies, antes de Darwin não implicava em alguma forma de melhoria absoluta, é meramente o resultado do acúmulo de características hereditárias que ao longo do tempo, foram relativamente vantajosas aos seus portadores em seus respectivos ambientes.
A descoberta da adaptação das espécies ao ambiente põe em dúvida a nobre filiação da espécie humana. Nasce a genética.
Anestesia - até a metade do século XIX, o único alívio para dores operatórias era a ingestão de grande quantidade de alcool. O problema foi resolvido pelos químicos, Joseph Priestley  descobriu o óxido nitroso e sugeriu este gás durante as cirurgias, devido aos seus efeitos estimulantes e analgésicos. Em outubro de 1846, o dentista William Morton aplicava a primeira anestesia local da história. O paciente caiu em sono profundo, enquanto o médico John Warren, extraiu-lhe um tumor do pescoço. A dor deixará, para sempre, de ser o maior empecilho cirúrgico.
Antissepsia - o risco de infecções durante e após a cirurgia depende do ambiente, e não somente do contato direto com as impurezas.
Século XX - alta tecnologia permite a descoberta de novos remédios, todas as ciências participam da medicina.
Sanitarismo - até o século XVIII, as fezes e urina eram jogadas nas ruas, contaminando a terra, poluindo os poços e transformando os rios, em verdadeiros esgotos a céu aberto. Foi Sir Edwin Chadwick quem revolucionou a saúde pública de 1848, na Inglaterra. O Estado passava a ser responsável pela saúde da população. Começa a era da medicina Estatal. Programas de serviço médico escolar, surgem para conter a proliferação das doenças entre a população carente
A luta contra veículos da doença evita de forma preventiva que haja o contágio. A importância da higiene nos conglomerados urbanos.
Soro - a segunda metade do século XIX foi protagonizada pelo estudo da imunologia e a capacidade dos organismos de resistir às infecções. O desenvolvimento do soro possibilitou a resposta imediata a um ataque  de antígenos nocivos. Foi Ehrlich quem mais contribuiu para o desenvolvimento da imunologia. Em pesquisas sobre os processos imunológicos e no estudo de algumas toxinas, como a difteria, chegou ao estabelecimento da teoria dos anticorpos desenvolvidos pelo organismo em reação as afecções microbianas. Desenvolveu um composto orgânico que conferia imunidade contra a sífilis.
A cura do veneno vem da elaboração dele próprio.
Raio -X - uma descoberta casual que, foi anunciada em todo o mundo como a maior descoberta da medicina. Ela foi feita pelo físico alemão Wilhem Konrad Roentgen.  Ele notou, que ao passar uma corrente elétrica por um tubo, uma folha de papelão de cianeto platinado brilhava no escuro. Roentgen percebeu que a luz provinha da radiação emitida pelo tubo e batizou de Raio X.  Não demorou e o físico verificou  que o raio- x podia penetrar em corpos densos e opacos, produzindo uma imagem sobre uma chapa fotográfica. O raio -x passava a ser o principal instrumento do médico no diagnóstico de fraturas, doenças ósseas e corpos estranhos.
Antibióticos - a descoberta da Penicilina foi, sem dúvida um dos grandes marcos na luta pelo desenvolvimento de medicamentos modernos. Mais uma vez a descoberta foi casual. Sir Alexandre Fleming notou que a contaminação em cultura de estafilococos ( tipo de bactéria ) com o fungo Penicillium notatum fizera com que as colônias da bactéria desaparecessem. Em seguida dos médicos de Oxford, Sir Howard Florey e Ernest Chain, prosseguiram, com as investigações e conseguiram isolar a penicilina em 1940. Seu uso, na segunda Guerra Mundial, reduziu consideravemente o número de vítimas fatais entre os aliados. Desde a descoberta da penicilina, muitos antibióticos foram desenvolvidos, dando aos médicos uma vasta escolha no tratamento de doenças causadas por bactérias.
A indústria química fornece outras armas contra o mal. A revolução causada é sentida como a nova era dos medicamentos.
Psicanálise - nada foi mais transformador e revolucionário que o advento da psicanálise no tratamento das doenças nervosas e mentais, Sigmundo Freud chocou o mundo ao declarar que as recordações dolorosas dos pacientes podiam estar relacionadas a experiências sexuais, traumáticas na infância. Com Josef Breuer, elaborou um método no qual o paciente podia discutir seus problemas emocionais por meio da associação de idéias. A mente se separa do corpo na medicina. Freud percebe que a histeria era causada por razão não-orgânica e sim psíquica. Com isso ele cria uma teoria na qual o corpo reagia aos desejos proibidos que estivessem escondidos nas falas de seus clientes, reprimindo-os formando os sintomas histéricos. O doente mental passa a ter uma possibilidade de cura e a receber tratamento humano que antes lhe era negado.
Questões Contemporâneas - a sociedade tecnológica permitiu o avanço das pesquisas, mudando a realidade, mas também  trazendo um mundo nem sempre voltado para a qualidade de vida e sanidade. Voltam assim antigas receitas de vida, e olhos desorientados buscam verdades alternativas. Tudo que é automaticamente no ponto de vista ético.
Transplante - um dos grandes avanços cirúrgicos do século XX, o transplante de órgãos, foi realizado na África do Sul, pelo médico Christan Barnard. Pela primeira vez, o coração do receptor foi retirado para ser substituído pelo coração do doador. Hoje a técnica de transplantes está cada vez mais avançada.
A cura pelo transplante de órgãos alheios revoluciona a visão da medicina e introduz o conceito do homem biônico.
Tecnologia genética - uma revolução ainda em curso, mas que pode transformar completamente a existência humana. Dois cientistas tiveram fundamental importância para o avanço desse campo. James Watson e Francis Crit descobriram, em 1953, a estrutura do DNA: dois blocos dispostos em uma estrutura de hélice dupla. Hoje o mapeamento genético dos cromossomas de um indivíduo é capaz de identificar o risco de desenvolvimento de algumas doenças hereditárias. Biólogos e geneticistas fazem experiências colocando novos genes em pacientes potencialmente terminais, na esperança que eles se reproduzam e substituam os genes defeituosos. Há também muito esforço e polêmica na pesquisas sobre a clonagem e células-tronco. Estamos diante de uma verdadeira transformação na história da medicina.
Robótica - antevendo a possibilidade de realizar operações durante a guerra, distante do local onde estava o cirurgião, o Exercito norte-americano incentivou no início da década de 80, o desenvolvimento de sistemas de robóticos para intervenções cirúrgicas. A primeira cirurgia robótica ocorreu em 1985. Um robô foi utilizado em uma biópsia cerebral. Porém, foi em 1993 que o primeiro robô cirúrgico foi aprovado pelas autoridades norte-americanas. A máquina foi batizada de AESOP, podendo ser controlada por um computador remoto. Cirurgiões logo se interessaram pela técnica robótica. Esperava-se menor trauma cirúrgico e redução da dor, morbidade, tempo de internação e custo procedimento. Apesar do entusiasmo científico inicial, ainda não existe evidência clara de superioridade desta técnica em relação à operação convencional.
Medicina Alternativa - a tecnologia avança a passos largos. Os médicos, porém, vivem um dilema. Enquanto fascinam-se cada vez mais pelos aparatos tecnológicos, cresce nos pacientes o desejo de uma abordagem mais holística, rejeitando os métodos atuais da medicina. A Acupuntura, homeopatia, florais de Bach, uso de ervas no combate a doenças, ayurveda apresentam-se, atualmente, como uma opção aos tratamentos tradicionais, cada vez mais fundados na interação médico-paciente. A tecnologia é de fato importante, porem não pode representar a desumanização da figura médica. A medicina alternativa avança compreendendo o ser humano como um todo, tratando o indivíduo e não apenas da doença.
O retorno da cura através das ervas, da medicina alternativa e da antiga medicina oriental.
Ambientalismo - o avanço tecnológico na medicina trouxe aliado a ele um aumento significativo da expectativa de vida. O desenvolvimento porém, parece esquecer dos limites ambientais de nosso planeta. Em nome dele, por exemplo os Estados Unidos se recusam a assinar o protocolo de Kyoto, que limita a a emissão de gases na atmosfera. Enquanto isso, a temperatura média do planeta aumenta, causando desastres ecológicos. Dentro desse panorama, também está inserido a forte pressão de alimentos transgênicos. Mesmo sem comprovação dos efeitos causados pela modificação genética. Cabe a medicina moderna impor limites à lógica do lucro e garantir a saúde do planeta.
A poluição, o desequilíbrio das cadeias naturais e a modificação genética dos alimentos - os transgênicos põem em perigo a vida do planeta.                                                            
                                                                                           

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